Você está em Nova Ordem Mundial >>>>> Acesse a página inicial de Nova Ordem Mundial

 

Teria John Lennon Vendido Sua Alma ao Diabo?

 

  Por: Wilson Mello Franco

 

 

O livro de Joseph Niezgoda – A Profecia de John Lennon, Um Novo Exame das Pistas de Morte dos Beatles – faz ressurgir o antigo boato de que John Lennon teria feito uma pacto com Satã em troca de fama e fortuna.  

 

Niezgoda não é o primeiro autor a tirar uma casquinha neste antigo boato, divulgado pelos caçadores de “evidências demoníacas” nas obras dos grandes artistas. São pessoas especializadas em encontrar chifre em cabeça de cavalo e torná-los críveis a fim de faturar sobre certas crenças e mitos populares.

Demoníacas são, na verdade, as pessoas que se entregam a tal tipo de inverdade. Há motivos escusos por trás disso, de pessoas interessadas em destruir a imagem do ídolo, e lucrar com isso.

  

ESQUENTANDO BOATO VELHO

  

Tal como os outros que vieram antes dele, o autor desde livro passou “15 anos procurando evidências de ligações satânicas” ou ocultistas na obra dos Beatles. Disse ele que encontrou muitas (Claro! Como não?!).

 

Apesar de já fazer quase 40 anos que o conjunto acabou, a vaca Beatles continua dando muito leite, e Niezgoda nada mais é do que um trapaceiro tirando sua casquinha. Segundo ele não somente John Lennon fez um pacto com Satã como ainda os demais Beatles o assinaram também.

 

É verdade que os Beatles atingiram o sucesso e a fama de uma forma meteórica, e ainda hoje raro é o dia que em algum canal de TV não se exiba alguma reportagem relacionada com o grupo. Hoje mesmo, enquanto me preparava para escrever esse artigo, a TV local estava mostrando um grupo de jovens brasileiros que ia fazer uma excursão pela Europa como uma banda cover do Beatles.

 

                                                                       O PACTO

 

Quando o pacto foi feito? Niezgoda define a data - 27 de dezembro de 1960 -, a noite que o Beatles tocaram no Town Hall Ball Room na cidade de Litherland, Inglaterra. Lennon tinha 20 anos e queria ser um astro do rock'n'roll, mais do que Elvis Presley. Na época os Beatles não eram mais do que qualquer outra banda medíocre (segundo ele, que se diz fã dos Beatles!) tentando aparecer no cenário musical inglês. 

Durante aquela apresentação, informa Niezgoda, "os Beatles evocaram uma resposta notoriamente diferente de qualquer coisa de seu tempo". Quando acabaram a apresentação, a multidão inesperadamente invadiu o palco, as meninas começaram a gritar como desvairadas. Foi a primeira vez que pintou no ar, para os Beatles, o sol do sucesso nascendo no horizonte. Uns quatro anos depois o mundo ocidental se viu tomado por aquilo que se convencionou chamar de Beatlemania, quem viveu na época jamais esquecerá.

“Embora eu não tenha nenhum estudo específico para objetar esta data, acredito ser mais provável que o pacto foi feito alguns dias antes daquela data. Isto daria tempo para Diabo preparar os fãs para aquele momento”, diz o autor.   

Niezgoda também diz que este show marca o começo de um suposto comportamento anticristão de Lennon. Ele, evidentemente tenta desvirtuar o famoso episódio da declaração inocente de John Lennon ao dizer que os Beatles eram então mais populares do Jesus Cristo. E eram mesmo! Pois Jesus não era conhecido no Japão nem na Índia, e eles eram. Assim como Pelé, ainda hoje, é conhecido em quase todos os países do mundo. Lennon jamais negou Jesus, mas para o autor Lennon blasfemava o Cristo. 

  

           

Teria John Lennon Vendido Sua Alma ao Diabo?

 

Vinte anos mais tarde, a 9 de dezembro de 1980, Mark David Chapman deu cinco tiros em Lennon, na porta do edifício Dakota, em Nova York, onde Yoko e John tinham um apartamento - no mesmo local, por coincidência, onde uma cena de O Bebê de Rosemary havia sido filmado. Exatos vinte anos haviam se passado.

Chapman, em sua mente deturpada, declarou durante o inquérito que ouvia vozes que o convenceram a matar John Lennon: “Faça isso, faça, faça”.  Cinco anos depois, já na prisão de Attica, Chapman pediu um exorcismo a ser feito por um padre, que disse depois que havia tirado de Chapam cinco ou seis demônios.

 

AS “EVIDÊNCIAS”

 

As “evidências” foram achadas nas supostas pistas deixadas pelos Beatles nas capas de seus álbuns e nas músicas. Inclusive ele encontrou pistas de que John Lennon sabia quando e como ia morrer.  Para demonstrar sua tese, seguiu pistas bem documentadas de bruxaria, misticismo e numerologia, mascaradas em anagramas. Não somente as capas de quase todos dos discos dos Beatles conteriam evidências, mas também os álbuns solos de Lennon. Isoladamente – diz o autor – essas pistas não sustentam a tese, mas em conjunto são “provas” suficientes e assustadoras. 

     

Por exemplo, a capa do álbum The Beatles Yesterday and Today, lançado em 1966, “não diz nada sobre a morte de Lennon, mas literalmente é ululante que os chamados Fab Four estavam envolvidos com o Satanismo, pois nesta capa, chamada de “capa do açougueiro”, os Beatles posam com jalecos de açougueiros, com pedaços de carne crua, globos oculares e bonecas decapitas nos colos e ombros. 

Para o autor, esse quadro “tétrico” evoca claramente o tipo de coisa infanticida que acontece em rituais satânicos e de adoração ao Diabo. É verdade que esta capa levantou muito polêmica sobre o que era e o que não era arte. Mas... são artistas!

 

Naturalmente também foram encontradas pistas nas letras das músicas. Algumas revelariam a misteriosa predição da morte de Lennon e as conexões com o Diabo. A autor diz que “isso não é tão absurdo como você poderia pensar”. Ele ressalta que muitos dos sucessos de Lennon lhe foram revelador por meio de sonhos (Paul McCartney revela que teve a ideia de escrever Yesterday através de um sonho. É a música mais executada de todos os tempos), e que por isso ele sempre mantinha por perto um bloco de anotações e lápis. 

 

Em uma de suas últimas canções Help me to help myself (Ajude-me a me ajudar), Lennon poderia ter percebido que o tempo estava próximo. A canção começa:

 

Bem, tentei de tudo para ficar vivo,

Mas o anjo da destruição continua me perseguindo o tempo todo.

Mas eu sei em meu coração que realmente nunca partimos, oh não.

 

Nos momentos finais da canção, Lennon pode ser ouvido falando com voz lânguida, dizendo: “Vejo. Vejo. É como você vai fazê-lo. Hun, OK”.

 

Como Niezgoda insiste, não há nada neste livro que já não está no domínio público. Tudo que ele teria feito foi conectar os pontos, e o quadro resultante revelaria vínculos ocultos e a “forte possibilidade” de que os Beatles tiveram uma “ajuda extra” em direção à fama.   

 

Essa “ajuda extra” a meu ver se chama competência, pois eles nunca desistiram, apesar de, certa vez, terem ouvido de um produtor a seguinte resposta, quando apresentaram uma fita para avaliação: “Rapazes, o tempo não é para bandas, ninguém comprará um disco de vocês.” E isso aconteceu depois do fatídico dia do pacto, supramencionado. 

 

 

 ® DIREITOS RESERVADOS - LEI 9610 dos Direitos Autorais, de 1998.