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HIPERTIMESIA

 

Por Wilson Mello Franco

 

Termo médico cunhado para designar pessoas que têm a raríssima capacidade de lembrar de quase tudo que aconteceu em sua vida. Atualmente em todo o mundo conhecem-se quatro casos de pessoas “normais” que têm essa capacidade, sendo três nos EUA, e um na Rússia.

 

 

    DANIEL MCCARTNEY, A CALCULADORA HUMANA

 

      Daniel MacCartney nasceu em 1817, no estado da Pensilvania, EUA, e faleceu em 1887. Era legalmente cego, nunca se casou e viveu sua vida inteira ao lado de seus pais. Ficou famoso por sua espetacular capacidade mnemônica. Era capaz de se lembrar de cada detalhe de todos os dias de sua vida ,desde os 9 anos até sua morte. Se alguém lhe citasse uma data qualquer, Daniel em segundos dizia em que dia da semana havia caído esse dia, descrevia as condições metereológicas, o que fez, comeu, e ainda fornecia detalhes de acontecimentos que foram notícias naquele dia.

 

      Daniel, porém, se distinguia dos casos atuais de hipertimesia, como o de Jill Price: possuía também a espetacular capacidade de computação mental. Em segundos ou minutos Daniel era capaz de resolver complexos cálculos matemáticos. Em um teste realizado em 1870, em 10 minutos ele deu a resposta exata para o cálculo de 89 elevado à sexta potência (496.981.290.017). Enormes cálculos de raiz quadrada ele podia resolvê-los em segundos. Uma verdadeira calculadora humana.  

 

 

MEMÓRIA “FRACA” É PERFEITAMENTE NORMAL

 

Embora muitas vezes nos queixemos de “memória fraca”, o esquecimento de numerosos fatos é fundamental para nossa sanidade psíquica. Por essa razão esquecemos não somente a maior parte dos fatos ocorridos nesta vida mas, principalmente, praticamente todos os fatos relativos às memórias do que é chamado “vidas passadas”. Jill é prova viva de que se não esquecêssemos a maior parte do que nos ocorre todos os dias desta vida e, principalmente, as memórias de vidas passadas, dificilmente poderíamos ter sanidade mental.

 

O caso Jill Price prova  que nenhum só segundo de tudo o que vivenciamos fica realmente esquecido, mas lançado em um “arquivo morto” que pode, em casos raros, ser rememorados como uma tela de cinema.

 A memória continua sendo um mistério para a Ciência, mas estaria aí um dos grandes segredos armazenados no cérebro - a alma humana, cujo segredo, desvendado, dará ao homem o passaporte para a felicidade.

O que fica claro é que a filtragem da maior parte dos acontecimentos é, na verdade, um artifício para manter nossa psique sã. E que, portanto, não é surpresa alguma que não tenhamos memória alguma de nossas vidas passadas, ou que tenhamos "brancos" de memória de vez em quando.

 

              A IMPORTÂNCIA DE SE ESQUECER

 

Um notável estudo, o primeiro a registrar imagens visuais do cérebro humano enquanto ele estava em atividade suprimindo memórias perturbadoras, mostrou que o cérebro não considera necessariamente uma boa coisa guardar detalhes. Por isso, quando recebemos de uma empresa - um um banco, por exemplo - uma senha ou bolamos uma que nada tem a ver com algo que nos faça rememorar alguma coisa importante para nós, tendemos quase sempre a esquecer, porque o cérebro considera isso detalhes que não nos são importantes para a manutenção de nossa vida física, e portanto não são dignos de ser mantidos na superfície da memória, ainda que uma senha bancária seja muito importante para nossa vida financeira.

 

Em termos de reencarnação isso significa que para a atual memória aquilo que passou não tem importância, e então deve ser mantido em um nível profundamente inconsciente. Em relação a esta vida, o cérebro procede no mesmo sentido em relação às memórias que podem ser descartadas e lançadas no "fundo do poço” das memórias, para que dificilmente venham à tona.

 

O estudo mostrou que o cérebro assim procede para prevenir a confusão, e para manter mais clara a carga cognitiva. De modo que quanto mais o cérebro de uma das pessoas testadas possuía a capacidade de esquecer insignificâncias tanto melhor era sua memória para se lembrar de fatos significantes.    

Em essência, o cérebro não poderia trabalhar rápida e eficazmente se não tivesse a capacidade de esquecer o que determina como irrelevante. O cérebro humano não gosta de ser atravancado com o que julga ser informação desnecessária para a manutenção da vida. Eis por que muitos de nós não podemos nos lembrar da maior parte do que aprendemos de álgebra.

 

O cérebro parece trabalhar por meio de associações. Assim, muitas vezes somos capazes de lembrar do resumo da estória de um filme que marcou um momento de nossa vida (a primeira namorada, por exemplo), mas não conseguimos nos lembrar de onde deixamos as chaves do carro ontem, pelo fato de não tê-las colocado no lugar de costume, já associado pelo cérebro. Quando fazemos uma mudança de lugar essa associação é cortada, o local deixa de estar associado como parte de nosso passo da vida, de nosso jeito de levar ou manter nossa vida. Então o cérebro julga desnecessário guardar aquela informação, e o fato de as chaves não terem sido guardadas aonde costumeiramente eram, supostamente foi porque deixaram de se importantes para nós; então ele esquece.   

Ainda há muito para se descobrir sobre os segredos do cérebro.  

 

 

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