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OS SETE SERMÕES AOS MORTOS

 

      Carl Gustav Jung  fez uma excelente apologia sobre este escrito místico de  Basílides de Alexandria. Jung é, com certeza, um dos poucos capazes de entender o significado esotérico deste texto, e é, a meu ver, onde um dia a Ciência vai chegar. Esses mistérios ou princípios já começaram a ser descobertos pela Ciência, conforme esta entrevista concedida pelo físico Andrei Linde

 

O TERCEIRO SERMÃO

 

 Os mortos aproximaram-se como névoa saída dos pântanos e gritaram: - Fala-nos mais sobre o deus supremo!

- Abraxas é o deus a quem é difícil conhecer. Seu poder é verdadeiramente supremo, porque o homem não o percebe de modo algum. O homem vê o summum bonum (bem supremo) do sol e também o infinitum malum (mal sem fim) do demônio, mas Abraxas não, porque este é a própria vida indefinível, a mãe do bem e do mal igualmente.

A vida parece menor e mais fraca do que o summum bonum (bem supremo), daí a dificuldade de se conceber que Abraxas possa suplantar em seu poder o sol, que representa a fonte radiante de toda a força vital.

Abraxas é o sol e também o abismo eternamente hiante do vazio, do redutor e desagregador, o demônio.

O poder de Abraxas é duplo. Vós não podeis vê-lo, porque a vossos olhos a oposição a esse poder parece anulá-lo.

O que é dito pelo Deus-Sol é vida.

O que é dito pelo Demônio é morte.

Abraxas, no entanto, diz a palavra venerável e também a maldita, que é vida e morte ao mesmo tempo.

Abraxas gera a verdade e a falsidade, o bem e o mal, a luz e a treva, com a mesma palavra e no mesmo ato. Portanto, Abraxas é verdadeiramente o terrível.

Ele é magnífico como o leão no exato momento em que abate sua presa. Sua beleza equivale à beleza de uma manhã de primavera.

De fato, ele próprio é o Pã maior e também o menor. Ele é Príapo.

Ele é o monstro do inferno, o polvo de mil tentáculos, o contorcer de serpentes aladas e da loucura.

Ele é o hermafrodita da mais baixa origem.

Ele é o senhor dos sapos e das rãs que vivem na água e saem para a terra, cantando juntos ao meio-dia e à meia-noite.

Ele é plenitude unindo-se ao vazio;

Ele constituí as bodas sagradas;

Ele é o amor e o assassino do amor;

Ele é o santo e o seu traidor.

Ele é a luz mais brilhante do dia, e a mais profunda noite da loucura.

Vê-lo significa cegueira;

Conhecê-lo é enfermidade;

Adorá-lo é morte;

Temê-lo é sabedoria;

Não resistir-lhe significa libertação.

Deus vive detrás do Sol; o demônio vive atrás da noite. O que deus traz à existência a partir da luz, o demônio arrasta para a noite. Abraxas, entretanto, é o cosmo; sua gênese e sua dissolução. A cada dádiva do Deus-Sol, o demônio acrescenta sua maldição.

Tudo aquilo que pedis a Deus-Sol leva a uma ação do demônio. Tudo o que obtendes através do Deus-Sol aumenta o poder efetivo do demônio.

Assim é o terrível Abraxas.

Ele é o mais poderoso ser manifestado e nele a criação torna-se temerosa de si mesma.

Ele é o terror do filho, que ele sente contra a mãe.

Ele é o amor da mãe por seu filho.

Ele é o prazer da terra e a crueldade do céu.

Diante de sua face o homem fica paralisado.

Ante ele, não há pergunta nem resposta.

Ele é a vida da criação.

Ele é a atividade da diferenciação.

Ele é o amor do homem.

Ele é a fala do homem.

Ele é tanto o brilho como a sombra escura do homem.

Ele é a realidade enganosa.

- Nesse ponto, os mortos clamaram e deliraram porque ainda eram seres incompletos.

 

 

 

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