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ARTIGOS PUBLICADOS NA MÍDIA SOBRE O CÉREBRO

 

Diferença no cérebro pode estar associada a conduta antissocial

    Estudo associa atividade violenta de indivíduos a diferença na área pré-frontal

                        20/2/2000    CURT SUPLEE   -   The Washington Post

 

   

WASHINGTON - Pessoas que têm uma porção de massa cinzenta menor do que a normal numa área-chave do cérebro talvez sejam predispostas à conduta antissocial violenta, segundo um novo e polêmico estudo. Cientistas compararam o volume da área pré-frontal - a que fica logo atrás dos olhos e da fronte inferior - num grupo de pessoas comuns e depois num grupo formado por pessoas que haviam cometido crimes como agressão, estupro, roubo à mão armada e tentativa de homicídio. Descobriu-se que, em média, o segundo grupo tinha 11% a menos de massa cinzenta.

 

     Os resultados, publicados pela revista científica Archives of General Psychiatry, podem levar a técnicas de rastreamento para identificar jovens mais propensos à violência, disse o coautor do estudo, Adrian Raine, da Universidade do Sul da Califórnia. "Quanto mais aprendermos sobre as bases cerebrais da violência e as integramos a causas sociais e familiares, mais facilmente poderemos prever a violência e saber onde intervir", acrescentou Raine.

 

O estudo é o mais recente na busca de possíveis causas psicológicas da conduta antissocial. Pesquisas anteriores já haviam sugerido que pessoas inclinadas à violência talvez tenham índices anormais de certos hormônios e substâncias químicas no cérebro. Também se demonstrou que uma determinada lesão em certas áreas do cérebro desencadeia conduta antissocial.

 

Advertência - Mas este é o primeiro estudo a constatar a correlação entre a violência e um "déficit estrutural" num cérebro de resto considerado normal, ileso.

Steven E. Hyman, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, organização que financiou parcialmente o estudo, elogiou Raine e colegas por sua "coragem ao abordar uma questão bem controvertida". Mas fez uma advertência a seguir: "Precisamos ser muito cuidadosos e não exagerar a interpretação dessas descobertas. Não podemos nos tornar os frenologistas do século 21", disse ele, referindo-se à teoria em voga no século 19 de que a forma do crânio revelava o caráter e o intelecto. O tempo mostraria que elas não tinham base.

 

 

APRENDENDO MAIS SOBRE AS FUNÇÕES DO CÉREBRO

 

O eletrotécnico americano Paul Sailer, de 32 anos, teve de submeter-se a uma cirurgia, em razão de um tumor cerebral que estava espremendo lentamente o lobo temporal esquerdo e, com ele, sua capacidade de entender palavras e frases. A operação foi realizada no Centro Médico da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

 

Quando a caixa de seu cérebro foi aberta, os cirurgiões não tinham condições de perceber nenhuma diferença entre as células do tumor e as do tecido normal. Também não havia como distinguir um órgão da linguagem ou algum tecido onde palavras e gramática estão instalados.

Mas, com a ajuda de um scanner cerebral de alta velocidade, usado durante o planejamento pré-cirúrgico para captar imagens de atividade cerebral, os especialistas puderam perceber coisas imperceptíveis a olho nu. O scanner revelou no cérebro de Sailer as células responsáveis pela linguagem, que alguns chamam de células da fala, como uma constelação de pontos de luz. O tumor surgiu como uma sombra atravessada numa faixa de tecido cerebral.

 

Quatro dias depois da cirurgia, Sailer mostrava boa disposição para falar e estava de pé, andando. Mas não conseguia lembrar o nome de sua mulher. Ele também não lia. Sua mente ainda não conseguia atribuir significados a símbolos desenhados no papel. E sua fala era às vezes truncada.

Para os psicólogos que o assistem e para a neurocirurgiã Susan Bookheimer, que fez a operação, a causa dessas falhas ainda é um mistério, que estão desvendando aos poucos. Susan costuma mostrar ao seu paciente cartões com imagens, para ver como ele reage. Quando mostra a figura de um galo, ele responde "corococó". Ela seleciona outro desenho, de um pato, e pede que lhe dê um nome. "Quack. Quack. Quack", diz Sailer. Ele usa o som como uma trilha para localizar a palavra em sua mente: "Um pato." Um cavalo-marinho. E ele responde: "Fica no oceano."

 

Suas respostas mostram que ele sabe o que está vendo. Mas não consegue encontrar o substantivo que corresponde ao desenho. No fim dos testes, Bookheimer havia posto na mesa duas pilhas de cartões - a dos acertos e dos erros. Ao todo, Sailer havia errado a identificação de 22 figuras de seres vivos como animais, frutas e hortaliças, e identificado 9 corretamente. Quando Bookheimer lhe mostrou figuras de seres inanimados, ele identificou 30 e errou 7. Ele pode dar o nome certo a qualquer objeto fabricado pelo homem ou coisa inanimada, mas não de todos os animais ou hortaliças. No entanto, seu vocabulário está intacto. Ele usa verbos com fluência e também domina a gramática. Os médicos acreditam que, com treinamento constante, ele pode recuperar o que perdeu. Se isso ocorrer, será mais um passo em direção à compreensão do processo da linguagem.   

 

 

 

 

 

 

 

 

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