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Novas teorias admitem a existência de vários universos

 

Deniis Overbye, do The New York Times

 10 de novembro de 2002

 

Nova York - O universo é tudo, ou há outros mundos além do nosso? Muitos cosmologistas cogitam hoje a ideia do chamado multiverso, uma série interminável de big bangs florescendo uns dos outros, criando universos sem limite. Eles não estão sozinhos. Uma variedade de teorias modernas prevê uma pletora de universos. Aqui estão algumas.

        

        Um desses multiversos vem da mecânica quântica, as estranhas regras que governam a natureza no nível subatômico. Na teoria quântica, objetos como elétrons ou gatos não têm posição ou propriedades definidas antes de serem observados ou medidos, e sim estão espalhados pelo espaço numa nuvem de possibilidades conhecida como função de onda.

Assim que uma observação é feita, a função de onda entra em "colapso", segundo a interpretação padrão defendida pelo físico dinamarquês Niels Böhr nos anos 20, congelando o gato ou o elétron no lugar ou na forma em que são realmente vistos.

    

    Mas o que acontece se não houver um observador, como certamente não havia no princípio do universo? Em 1957, Hugh Everett III, então um universitário em Princeton, e seu conselheiro, John Wheeler, propuseram uma variante da teoria quântica que ficou conhecida como teoria dos mundos múltiplos. A matemática é a mesma da teoria quântica original, mas nesta versão, no lugar do colapso da função de onda a cada observação, o universo se divide em universos paralelos, um para cada possível desfecho de cada contingência possível: universos nos quais o Boston Red Sox, que saiu-se mal na última temporada do beisebol neste nosso mundo, abocanha neste momento seu décimo campeonato; universos nos quais os dinossauros ainda perambulam pela Terra. Mas, ai de nós, os outros universos, se existem, são invisíveis e inalcançáveis.

 

 

Buracos negros - Lee Smolin, do Instituto Perimeter de Física Teórica, em Waterloo, Ontario, especula que o universo pode se reproduzir através dos buracos negros, os poços gravitacionais sem fundo, nos quais as estrelas desaparecem, parindo universos-bebês com leis da física ligeiramente modificadas.

Segundo essa teoria, chamada de seleção natural cosmológica, universos com mais buracos negros produzem mais "crias", e portanto as leis da física tomarão uma direção favorável à produção de buracos negros.

Mas apenas as estrelas maiores e mais densas podem entrar em colapso para criar buracos negros, e estas são as que produzem os elementos necessários para a vida, como o carbono, o oxigênio e o ferro. É o que diz Smolin no livro A vida do cosmos. Assim, um universo surgido desses buracos negros será necessariamente favorável à vida.

      

   A conjectura de Smolin pode ser testada, segundo o cientista, se tentarmos imaginar um universo com leis que geram buracos negros com eficiência ainda melhor que o nosso - o que, disse ele, deveria se aproximar do máximo de eficiência.

        

   "Pessoalmente, acho que a previsão de Smolin dificilmente será confirmada, mas ele merece nosso reconhecimento por apresentar um exemplo que ilustra como uma teoria específica sobre os multiversos pode ser vulnerável à refutação", escreveu Martin Rees, da Universidade de Cambridge, no livro Nosso Hábitat Cósmico.

 

 

Quinta dimensão - Universos múltiplos de outro tipo surgem nas versões mais recentes da teoria das cordas, segundo a qual o mundo pode ser visto como uma membrana tridimensional (ou "brana", no jargão) flutuando num espaço em dez dimensões, como uma folha num aquário.

       

    De acordo com algumas teorias, a maioria das partículas e forças de nosso universo está confinada a esta brana, mas a gravidade, não, e outras branas podem interagir e mesmo colidir conosco, relegando algumas das características do universo aos efeitos de uma espécie de clima intercósmico.

Por exemplo, num modelo desenvolvido por Lisa Randall, de Harvard, e Raman Sundrum, da Johns Hopkins, as leis da física dependeriam da distância, numa quinta dimensão em curva, entre nossa brana e uma outra.

Por mais bizarras que pareçam, essas noções, segundo os teóricos das cordas, podem ser testadas.

      

      "Há uma experiência que você pode fazer", disse Joseph Lykken, um teórico do Laboratório Acelerador Fermi, onde os físicos buscam, em colisões de partículas, evidências de que algumas delas andam fugindo de nosso brana e entrando na quinta dimensão. Até agora, eles não tiveram sucesso.

 

 

 

                                         

 SAIBA AINDA MAIS:   Uma entrevista de Andrei Linde na revista ISTOÉ.

  Andrei Linde, The Self-Reproducing Inflationary Universe

           http://www.sciam.com/1998/0398cosmos/0398linde.html)  

  SAIBA AINDA MAIS: 

Uma entrevista de Andrei Linde na revista ISTOÉ.

 

 

 

 

 

 

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