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APOLÔNIO DE TIANA E SIMÃO, O MAGO

Helena P. Blavatsky

 

 Tradução do original escrito por Madame Blavatsky:

 

           Wilson Mello Franco

 

Veja também: imagens, pessoas e fatos relacionados com Apolônio de Tiana

 

 

 

Dedico esta tradução e a divulgação deste texto à memória da grande e ilustre Mme. Blavatsky, profetisa dos novos tempos que próximos estão por vir:

 “E diga se sou demasiada exagerada ao dizer que a Terra no século XXI será um paraíso se comparado com hoje” – A CHAVE DA TEOSOFIA, escrito em 1891, ano de sua morte.  

 

Em A História da Religião Cristã Até o Ano Duzentos, de Charles B. Waite, A. M., anunciado e revisado no Banner of Light (Boston), encontramos partes do trabalho relativo ao grande taumaturgo do segundo século A.D., Apolônio de Tiana, o rival daquele que nunca apareceu no Império Romano.

 

O tempo que este volume abrange de conhecimento especial está dividido em seis períodos, e durante o segundo deles, de 80 a 120 d.C, está incluso a Era dos Milagres, história que se mostrará de interesse aos Espiritualistas como meio de se comparar as manifestações de inteligências invisíveis em nosso tempo com eventos semelhantes aos dos dias imediatamente posteriores aos que se seguem à introdução de cristianismo.

 

Apolônio de Tiana foi o caráter mais notável daquele período, e testemunhou o reinado de uma dúzia de imperadores romanos. Antes de seu nascimento, Proteus, um deus egípcio, apareceu à sua mãe e anunciou que ele se encarnaria na criança esperada. Seguindo as instruções que lhe foram dadas em um sonho, ela foi a um prado para colher flores. Enquanto estava lá, um bando de cisnes formou um círculo ao seu redor e, batendo suas asas, formaram um coro cantado em uníssono. Enquanto estavam assim engajados, e o ar estava sendo abanado por um gentil zéfiro, Apolônio nasceu. 

 

Esta é uma lenda que corria naqueles dias que foram marcados pelo nascimento memorável de um "filho de Deus" nascido milagrosamente de uma virgem. E o que segue é história.

 

Em sua juventude ele foi uma maravilha no poder mental e na beleza pessoal, e encontrava sua felicidade maior nas conversas com os discípulos de Platão, Crísipo e Aristóteles. Não comia nada que tinha vida, vivia de frutas e dos frutos da terra; era um admirador entusiástico e seguidor de Pitágoras, e como tal manteve o silêncio durante cinco anos. Aonde quer que fosse reformava a adoração religiosa e executava atos maravilhosos. Nos banquetes espantava os convidados fazendo aparecer pão, frutas, legumes e várias guloseimas que eram solicitadas por eles. Estátuas se tornavam animadas com vida, e figuras de bronze em seus pedestais tomavam posição e executavam trabalhos de criados. Pelo exercício do mesmo poder de materialização, ouro e vasilhas de prata, com seus conteúdos, desapareciam; até mesmo os assistentes desapareciam de vista durante certo momento.

 

Em Roma, Apolônio foi acusado de traição. Trazido a exame, o acusador avançou, desdobrou o rolo no qual sua acusação havia sido escrita, e foi surpreendido ao encontrar tudo completamente branco!

 

Encontrando um cortejo funerário [teria sido em Roma, segundo outros escritos] ele disse aos assistentes: Fixem o olhar no ataúde, e eu secarei as lágrimas que derramam pela donzela. Ele tocou a jovem mulher, articulou algumas palavras, e a morta voltou à vida. Estando em Esmirna, um surto de cólera ocorreu em Éfeso, e ele foi chamado para ir lá. 'A viagem não deve ser demorada', disse, e nem bem havia dito isso e já estava em Éfeso.

Quando, já quase com cem anos, foi levado à presença do imperador em Roma, acusado de ser um encantador. Foi conduzido à prisão. Enquanto lá estava foi questionado quando estaria em liberdade. 'Amanhã, se depender do juiz; neste momento, se depender de mim'. Dizendo isto, retirou sua perna do grilhão, e disse, 'Vê a liberdade que desfruto'. Ele recolocou-a na corrente.’

No tribunal lhe foi perguntado: Por que os homens o chamam de um deus

Porque, disse ele, todo homem que é bom é designado por esta denominação

Como pudeste predizer a pestilência em Éfeso

Ele respondeu: Por viver numa dieta mais luminosa que os outros homens.  

 

Suas respostas a estas e outras perguntas de seus acusadores exibiram tal força que o imperador foi muito afetado, e o declarou absolvido do crime; mas disse que ele deveria ser detido de modo que pudesse manter com ele uma conversa em particular. Ele respondeu: Podeis deter meu corpo, mas não minha alma; e, digo mais, nem mesmo meu corpo. Tendo pronunciado estas palavras ele desapareceu do tribunal, e naquele mesmo dia encontrou seus amigos em Puteoli, que fica a três dias de viagem de Roma. 

 

Os escritos de Apolônio mostram ter sido ele um homem instruído, com um perfeito conhecimento da natureza humana, imbuído de nobres sentimentos e princípios, de uma filosofia profunda. Em uma epístola a Valerius, diz ele: Nada morre, exceto na aparência; e, assim, também, não existe nascimento de qualquer coisa exceto na aparência. O que passa a estar por cima desde a essência para ser natureza parece ter nascido, e o que passa desde a natureza para a essência parece, de certa forma, ter morrido; embora nada realmente seja originado, e nada nunca pereça; mas tão somente passa a ser visto, e então desaparece. Aparece por causa da densidade da matéria, e desaparece por causa da tenuidade da essência; mas sempre é o mesmo[*] só diferindo em movimento e condição. 

 

“O tributo mais alto pago a Apolônio foi o do imperador Tito. O filósofo lhe escreveu logo após sua subida ao trono aconselhando moderação em seu governo, ao que Tito respondeu: "Em meu próprio nome e em nome de meu país vos agradeço, e ficarei atento a essas coisas. De fato fui eu quem tomou Jerusalém, mas sois vós quem me capturastes”. 

 

As coisas maravilhosas feitas por Apolônio, pensava-se serem miraculosas, a fonte e a causa produtora delas, as quais o Espiritualismo Moderno revela claramente, eram grandemente acreditadas no segundo século, e centenas de anos depois; e por cristãos como também por outros.

 

 

SIMÃO, O MAGO

 

Simão, o Mago, era outro proeminente fazedor de milagres do segundo século, e ninguém negava o seu poder. Até mesmo os cristãos foram forçados a admitir que ele operava milagres. A ele é feita alusão no Atos dos Apóstolos, capítulo 8: 9-10. Sua fama era no mundo inteiro, tinha seguidores em toda nação, e em Roma uma estátua foi erigida em sua honra. Tinha frequentes confrontos com Pedro, o que chamaríamos hoje de competição de milagres para determinar quem tinha maior poder. Está afirmado no Atos de Pedro e Paulo que Simão fez uma serpente de bronze se mover, estátuas de pedra rirem, e levantava-se no ar; a isso, se acrescenta, levava Pedro a curar um doente com uma palavra, fazer um cego ver, etc.

Simão, sendo levado à presença de Nero, mudou sua forma: de repente se tornou uma criança, então um velho, e em outro momento num jovem. E Nero, observando isso, supôs ser ele o Filho de Deus.  

 

Em Recognitions (Reconhecimentos) um trabalho de Petrine das primitivas eras, está narrada uma discussão pública entre Pedro e Simão Mago, que está reproduzida neste volume. 

Narrações deste tipo a respeito de muitos outros fazedores de milagres parecem concluir que o poder que manejavam não estava confinado a somente a um ou a certo número de pessoas, como o mundo cristão ensina, mas os dons de mediunidade eram então, como agora, possuídos por muitos. Muitas destas narrativas podem ser grandemente exageradas, mas é razoável supor que pelo menos a metade continha verdades em seus fundamentos; bem como as revelações feitas aos homens do  Espiritualismo Moderno. Alguma ideia de que há exatidão em todo assunto tratado neste volume pode ser formada quando mostramos que no índice há duzentas e treze referências a passagens relativas a “Jesus Cristo”; das quais pode, também, ser justamente inferido que o que é dado deve ser de grande valor aos que buscam informação que os capacitará a determinar se Jesus era “Homem, Mito, ou Deus”. Em A Origem e História das Doutrinas Cristãs, e também em A Origem e Estabelecimento da Autoridade da Igreja de Roma Sobre As Outras Igrejas, está mostrado completamente, e muita luz é lançada em muitas obscuras e disputadas questões. Em uma palavra, é impossível para nós, sem exceder os limites prescritos para este artigo, fazer plena justiça a este livro muito instrutivo; mas pensamos que muito foi dito para convencer nossos leitores que ele é mais do que de interesse ordinário, e uma desejável aquisição de literatura desta idade progressista.

Alguns escritores tentaram dar a Apolônio um caráter lendário, enquanto os piedosos cristãos persistirão chamando-o de impostor. A existência de Jesus de Nazareth foi atestada pela história e ele mesmo pouco conhecido dos escritores clássicos como foi Apolônio, nenhum cético poderia duvidar hoje em dia da existência do homem filho de Maria e José. Apolônio de Tiana foi amigo e correspondente de uma imperatriz romana e de vários imperadores, enquanto os fatos da vida de Jesus não são senão lembrado nas páginas da história pelos escritos feitos nas areias do deserto. Sua carta a Agbarus, o príncipe de Edessa, cuja autenticidade é condescendida só por Eusébio - o Barão Munchausen da hierarquia patrística – chama em Evidências do Cristianismo de “uma tentativa de falsificação” pelo próprio Paley, cuja robusta fé aceita até mesmo as mais incríveis histórias. Apolônio, então, é um personagem histórico; enquanto muitos, mesmo os próprios Pais Apostólicos, se colocados diante do olho de escrutínio da crítica histórica, começam a se apagar e a desaparecer como "sussurros ao vento" ou como um ignis flatus.

 


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[*] Do mesmo modo é o processo de reencarnação, a mais sábia de todas as doutrinas (por isso foi alijada da ortodoxia): mudamos de corpo e de aparência, mas somos sempre o mesmo na essência, no divino Cristo que jaz em cada um de nós. Cada encarnação é uma nova experiência, mas não um novo eu divino. Nota do tradutor.   

         

 

  Apolônio de Tiana seria Jesus que não morreu na cruz?

 

Veja também: imagens, pessoas e fatos relacionados com Apolônio de Tiana

 

 

 

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