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A ALMA EXISTE ?   É A ALMA A MENTE?

 

POR: Wilson Mello Franco

 

 

     A alma estaria prisioneira   no corpo? 

      Em primeiro lugar é preciso definir o que é alma. Essa palavra tem muitos sentidos, dependendo de quem a usa. Se a tomarmos pelo latim, anima, é movimento, é ação; se a tomarmos pelo grego, psich, ela é a matéria. E esta última palavra deriva de mater, a mãe, no sentido de natureza, de modo que alma também pode ser definida como natureza. Nem natureza, nem matéria, nem ação estão então dissociadas do termo alma. Em palavras mais concretas, a alma é a vida, a qual está definida no Nome de Deus.

 Mas na natureza existem os opostos, de modo que podemos inferir que coexistem MENTE e MATÉRIA, e que elas perfazem a Vida. Se por um lado temos a matéria, por outro lado, podemos também encontrar na natureza mente isolada de matéria, e que mente constitui a matéria inanimada. Então a alma pode ser MENTE pura,  ou seja, MENTE isolada da matéria. Se na natureza inanimada existe matéria bruta, mas dotada de uma inteligência intrínseca, que dá movimento aos átomos e a sua coagulação numa forma, que nós tomamos como os objetos que preenchem o mundo, na natureza animada existe além desta inteligência intrínseca, algo mais, que podemos definir como ALMA. Mas enquanto nos animais inferiores a alma se espelha como um reflexo da Alma Universal, no homem encontramos a razão, que o torna infinitamente à frente da mera inteligência animal. Que outro nome poderíamos dar à razão senão MENTE? Então Mente e Alma são variações (raios) da Natureza Universal, mas não estão isoladas (embora possam agir isoladamente) de per si, mas trabalham juntas no homem.

 

Haveria MENTE pura (espíritos) no universo? Pode a Mente humana se dissociar da matéria e continuar “viva” após a (suposta) morte da matéria? Se existe MENTE pura na natureza, é porque existe "Vida Pós-Morte" para a nossa MENTE, assim como existe para o nosso corpo, que após a morte (separação entre matéria e MENTE) não é destruído, mas apenas transformado (leia São Paulo 15, Epístola aos Coríntios). Talvez este mesmo princípio se aplique também à MENTE, pois como disse Lavousier, no universo nada se cria e nada se destrói, mas tudo se transforma. Mas mesmo que seja comprovada a existência de MENTE pura no universo – e o homem é um microcosmo, ainda restarão muitas perguntas para serem respondidas: Como e por que matéria e MENTE se fundem, gerando a vida? Como e por que matéria e MENTE se separam, gerando a “morte”?

 

Se por um lado a matéria “pesada” (carbono 12, misticamente falando) está limitada, por outro a Mente pura adquire atributos notáveis, como a telepatia, a clarividência, o dom da profecia, da taumaturgia, da criação e transformação, da psicometria, etc.. Como os animais inferiores não podem fazer isso, concluímos que somente o homem tem Mente, e que, apesar de Mente e Alma se conjugarem, não se pode dizer o tempo todo que Mente e Alma são a “mesma coisa”.

 

Então a Mente pura pode interagir como o meio “de dentro para fora”, enquanto a Alma bruta pode interagir com o meio “de fora para fora”, o que leva no sentido da destruição, violência, o outro lado da natureza. Esses fatos sugerem que a MENTE esteja localizada numa outra dimensão além das 4 conhecidas e exploradas pela ciência até agora (que são as 3 dimensões espaciais: largura, comprimento e altura; mais o tempo, como quarta dimensão). Isto que a ciência chama de quatro dimensões, nos postulados místicos perfazem os quatro princípios phisichos do homem. “Meu Pai tem muitas moradas” declarou Jesus. Os cientistas e matemáticos modernos explicam hipoteticamente a movimentação dos elétrons nos átomos em outras dimensões, enquanto se admite a provável existência de uma partícula elementar bastante sutil que seria responsável pelos efeitos mentais produzidos pela Mente, a qual, vista por esse ângulo, pode ser comparada à semente de mostarda mencionada numa parábola de Jesus. Não só nesta parábola, mas em muitas outras Jesus nos dá esse vislumbre da Mente no sentido em que a ciência o aceita hipoteticamente. Assim, a Mente numa parábola é a candeia que ilumina a casa, não devendo ficar debaixo da Kama; em outra, ela é a pérola preciosa encontrada pelo pescador humilde, e assim sucessivamente.

 

Seremos transformados na nossa suposta morte? Se usamos nossa inteligência num raciocínio isento ao mesmo tempo do ateísmo radical da ciência,  e das crenças religiosas vulgares, e nos fizermos as clássicas perguntas “Quem somos?”, “O que estamos fazendo aqui?” e “Para onde vamos”, não haveria qualquer sentido se simplesmente nascemos, comemos, bebemos e transamos por prazer ou reprodução e, por fim, tudo se acabe. Diga-me: onde está o sentido disso? Embora muitas mentes privilegiadas de nossa sociedade tentem nos passar que isso tem sentido, francamente, tem algum sentido? Tanto é que a maior inteligência do século XX, Albert Einstein, não acreditava que tudo se acaba no cemitério ou no forno crematório. Mas Einstein também não acreditava no deus da religião ortodoxa, mas, sim, imanente na natureza, como os gnósticos acreditam, assim como Jung.

 

A teosofia e algumas religiões advogam a existência de uma “alma astral” ou duplo, conhecida no espiritismo como ectoplasma, o qual é popularmente conhecido como fantasma. Este seria nosso corpo para a vida temporária no “além”, cujo atributos serão transformados quando voltarmos a viver aqui (“Na natureza nada se cria, tudo se transforma”).  Mas pode a Mente atuar mesmo sem esse corpo duplo? Seguramente sua forma de atuação dependerá da dimensão em que ela vai atuar. Mas alguma espécie de “matéria” parece que deve acompanhá-la. 

 

Então não temos uma alma, como se acredita na religião vulgar, mas, sim, somos uma Alma, e nesta Alma atuam outras almas que a Bíblia chama de “povo de Deus”. Alma então, abrange uma vasta gama de vidas (animus), é feminina e masculina, possui nela os dois princípios, e é imortal em sua essência. Sua atuação masculina está por cima, e é a terra, enquanto sua atuação feminina, submetida, é o céu. Céu e terra (positivo-neutro e negativo) estão no Homem que, como disseram os grandes mestres (incluindo Jesus) é em essência Deus. E não há divisão: e seria um crasso erro admitir a divisão, já que a divisão não existe senão somente em nosso conceito limitado. A divisão da unidade gera o preconceito humano, em suas múltiplas faces. Todas as formas de preconceitos são, então, um erro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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