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A História de Jesus

G. de Parucker

         

Tradução: Wilson Mello Franco

                

     Primeira Edição do livro original: 1938.

 

     Publicação  autorizada pela Theosophical University Press

       DA SOCIEDADE TEOSÓFICA PARA VOCÊ

      

  Título Original

 The Story of Jesus - By G. de Parucker

 

 

 

 

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ÍNDICE

         

   I – Jesus, Homem ou Mito?

  II – O Nascimento de Jesus e o Festival de Natal

 III – Os Ensinamentos de Jesus

 IV – A História de Jesus – Um Conto dos Mistérios

  V - O Avatar - Ensinamentos

 VI – A Crucificação – Mistérios:  A Espetada da Lança e o Brado na Cruz

 

NOTA DO EDITOR

 

 

Durante o curso de uns quatorze anos, o Dr. de Parucker teve ocasião, enquanto conferenciava, de se referir de um modo disperso, mas relevante, à vida, trabalho, e história mística de Jesus, chamado o Cristo. Aconteceu então que foram mencionados muitos dados históricos, quase-históricos, e dados distintamente esotéricos relativos à vida de Jesus. Essas várias referências relativas a Jesus, o Avatar, foram reunidas, e com algumas sentenças conectadas foi tecida uma narrativa contínua que serve como  resposta a centenas de questões recebidas por ele para dar aos estudantes um esboço do que realmente era fato oculto na vida e nos ensinamentos de Jesus do ponto de vista da teosofia.  

 

 

Capítulo I

 

JESUS – HOMEM OU MITO?

 

        … como um dos maiores reformadores, um inimigo inveterado do dogmatismo teológico, um perseguidor do fanatismo, instrutor de um dos mais sublimes códigos de éticas, Jesus é uma das maiores e mais reluzentes figuras no panorama da história humana. Sua época pode, dia a dia, ser retrocedida sempre para mais longe por detrás das névoas escuras e nebulosas do passado; e sua teologia - baseada na extravagância humana e apoiada por dogmas insustentáveis pode, melhor, deve a cada dia perder um pouco mais do seu prestígio não merecido; sozinha a grande figura do filósofo e reformador moral em vez de se tornar mais pálida se tornará a cada século mais pronunciada e mais claramente definida. Reinará suprema e universal somente no dia que a humanidade toda reconhecer só um pai - O DESCONHECIDO em cima - e um irmão – toda humanidade em baixo. - Ísis Sem Véu,  II, 150-1,

 

 

JESUS vivo. Seja qual for o nome que ele teve, o indivíduo conhecido como Jesus (o nome Hebreu era Jeshua ou Joshua) foi um homem natural, um grande sábio. Ele foi, além disso, um iniciado na doutrina secreta de seu tempo; e em torno dele, depois de sua morte, surgiram lendas e fábulas que foram tecidas nos dias posteriores – digo, um século depois de sua morte -, nos assim chamados Evangelhos.    

 

Mas quem foi Jesus? Quando viveu? Quando nasceu? Viveu mesmo algum dia? Era um mito? Ninguém realmente sabe. Não há uma resposta simples, definida, conclusiva, e provada para esta pergunta - não uma simples resposta que seja dada com certeza. As respostas para essas perguntas ainda ocupam a atenção de não um pequeno exército de estudantes; mas por trás de toda a nuvem de incerteza e a poeira de opiniões contraditórias, por todas as épocas desde Jesus, depois chamado o Cristo, vieram e ensinaram seus seguidores, mas com isso e por trás de tudo isso, ainda assim não discernimos a sublime figura do grande Mestre - não somente o grande Mestre nos anais da história, como também o grande e sublime mestre de homens, seu coração cheio de amor e compadecimento pela humanidade, que passou sua vida na terra instilando elevados ensinamentos nos corações e mentes dos homens, e que finalmente morreu, de acordo com a teoria do Evangelho, sofrendo a pena de morte da crucificação. Foi ele realmente crucificado ou não? Aqui, enquanto a maioria dos estudantes acredita que ele foi crucificado, somos obrigados a dizer novamente  "ninguém sabe".

 

A história do Evangelho é meramente uma ficção idealizada, escrita por místicos Cristãos iniciados nos mistérios esotéricos dos Pagãos, mostrando os passos e testes iniciais dos candidatos à iniciação; e não foi muito bem feita, havendo muitos erros e muitos enganos nos Evangelhos.

 

Depois de um curto tempo da alegada crucificação do Mestre Jesus – feita a  avaliação desde o tempo que as Escrituras Cristãs começaram a circular no mundo Mediterrâneo – e por toda a Idade Média e até nas proximidades de nossos próprios dias, os homens disputaram e lutaram pelos documentos que compõem o Novo Testamento Cristão, não somente com respeito ao que esses documentos tinham para dizer, mas por meras palavras ou frases, e também com respeito à idade deles e quem os escreveu. Mesmo hoje ninguém sabe qualquer coisa positiva, real, e certa a respeito deles, embora muitas teorias inteligentes e instruídas tenham sido emitidas e foram aceitas como verdade por causa da falta absoluta de prova positiva.

 

Agora, considere o que tudo isso significa. Os homens não sabem a data exata quando os quatro Evangelhos foram escritos, nem a data exata quando o Atos dos Apóstolos foi composto, nem a data exata quando as várias Epístolas foram escritas e enviadas, nem quando o último livro chamado Apocalipse foi composto, supostamente por São João na ilha de Patmos. Mesmo hoje ninguém sabe nada sobre os autores desses vários escritos ou “escrituras” como são chamados.  

 

Ninguém sabe quem os escreveu; ninguém sabe quando foram escritos; e além disso ninguém sabe se as coisas registradas nesse Livro do Novo Testamento eram verdadeiras, ou sobre o sentimento místico de quem os dissertou. Considere também o que a Cristandade foi por aproximadamente dezoito séculos: uma religião de vigorosa propaganda dogmática, uma religião que ensina definidas e estritas doutrinas de fé infalíveis na qual alguém tem que acreditar sob o perigo de sua alma supostamente imortal.

 

Mas os quatro Evangelhos Cristãos canônicos não são de modo algum os únicos que foram escritos. Sabemos a partir da história eclesiástica da Cristandade que existem dúzias de velhos Evangelhos, que, com exceção dos quatro agora aceitos como canônicos, existiram até o terceiro ou quarto século da era Cristã, quando foram abandonados, e por muitos séculos foram chamados “apócrifos”. 

 

Agora, devido à escuridão quase completa de ignorância que acoberta as origens e escritores dessas escrituras místicas, o que temos que concluir daí? Nós sabemos que pelo menos havia algo como vinte e quatro ou vinte e cinco Evangelhos diferentes que são agora chamados apócrifos, e também um grande número de Epístolas, e muitos Atos dos Apóstolos – Evangelhos e Epístolas e Atos de todas as espécies emitidos e que circulavam entre as diversas seitas Cristãs primitivas. Foram chamados “apócrifos” ou duvidosos meramente porque não pertencem ao presente Cânon de escrituras aceitas; e no entanto os estudantes sabem muito bem que esses assim chamados escritos foram em seu tempo considerados canônicos por aqueles que os aceitavam e os usavam.  

 

A história de Jesus não é nova como escrita; essencialmente é em grande parte uma repetição do caso daquele particular Mestre chamado Jesus e do que outros grandes videntes e sábios ou avatares ou budas fizeram e ensinaram; e a maioria dessas grandes figuras da história, depois que morreram ou passaram, deixou atrás deles um sistema emaranhado de símbolo e alegoria, normalmente tidos por muitos anos posteriores serem registros históricos precisos; mas contudo não o eram.

 

Isso não significa que esses registros emaranhados - quer no caso de Jesus ou no caso de outros -, sejam completamente destituídos de alguns fatos históricos originais ou instâncias registradas; mas significa que o registro histórico ou eventos originais foram assim travestidos em simbologia ou disfarçados na alegoria, que dificilmente são discerníveis nesses véus de acobertamento.

 

Não há registro, historicamente falando, do aparecimento do grande sábio Sírio chamado Jesus no ano aceito como o 1 da Era Cristã, ou no ano 4 d.C. Essa é uma das razões por que os estudantes Ocidentais de mentalidade crítica vem dizendo que a personalidade que se toma por Jesus nunca viveu, porque não há, indubitavelmente, registro histórico de sua existência fora das Escrituras Cristãs. Mas ele viveu; viveu por volta de cem anos mais ou menos antes do ano 1, que é presentemente aceito, da Era Cristã.

 

A data da presente Era Cristã foi arbitrariamente estabelecida por um monge Cristão chamado Dionísio, o Exíguo, ou ainda, “Dionísio o Pequeno”, que viveu no sexto século da Era Cristã, sob o Imperador Justino e Justiniano. Ele não sabia quando o Mestre Jesus havia nascido, mas calculou segundo o material literário que tinha em mãos, não muito, senão o que tinha. E ele estabeleceu o nascimento do Mestre Cristão em torno de seis séculos antes de seu tempo. Não demorou e essa data hipotética veio a ser aceita como o ano 1 da Era Cristã, o ano do nascimento do grande sábio chamado Jesus. Mas é claro que foi um século e mais alguns anos antes do tempo estabelecido por Dionísio Exíguo.

 

 

 

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