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A HISTÓRIA DE JESUS

G. DE PARUCKER

 

 

Capítulo IV

 

   A HISTÓRIA DE JESUS – UM CONTO DOS MISTÉRIOS

 

 

A história inteira de Jesus é um conto dos Mistérios que encena em forma dramática certos eventos muito importantes que aconteciam nas  câmaras de iniciação ou criptas; e as parábolas incluídas nesse conto dos Mistérios também se referiam muito definidamente, se brevemente, certamente aos ensinos fundamentais dados aos neófitos nessas ocasiões.

Um estudo das vidas dos grandes videntes e sábios dos tempos passados revelará mais ou menos exatamente os mesmos enredos de pensamento e circunstâncias que são muito facilmente discerníveis na história Cristã de Jesus. Os verdadeiros nomes da maioria - se não de todos estes grandes videntes e sábios - foram envolvidos em alegoria e símbolo; mitos foram contados sobre eles: em alguns casos alegava-se terem nascido de uma virgem ou nascido de algum outro modo misterioso, e terem vivido e ensinado, mudando os corações dos homens por seus trabalhos e maravilhas; e, depois de terminar seus ensinamentos, finalmente morriam de alguma maneira misteriosa.

 

Além disso, com respeito ao ciclo iniciatório no caso de indivíduos os homens simplesmente copiaram o formidável termo da existência cósmica, e assim também o Novo Testamento Cristão em sua alegoria simbólica e imaginária, além de ser um conto coberto e indescoberto da cripta de iniciação, semelhantemente encena a incorporação do espírito cósmico numa existência material.

 

Cada país tinha suas escolas de iniciação, suas escolas dos grandes Mistérios; e esses mistérios eram estritamente guardados e mantidos verdadeiramente em muito segredo. Era hábito nesses dias escolher algum grande ser humano que tinha ensinado os homens, e ao redor daquele indivíduo tecer uma teia de ensinamento simbólico, encenando - de forma que os homens comuns lendo poderiam entender, no que seriam atraídos às coisas espirituais - o que naturalmente acontecia na câmara de iniciação.

 

Isso é o que aconteceu no caso de Jesus chamado o Christos. Consequentemente, o que os quatro livros dos Evangelhos dizem foram escritos não em verdade histórica, mas em verdade simbólica.

 

"Christos" é uma palavra grega que significa aquele que foi ungido. Esta é uma referência direta, uma insinuação direta, ao que acontecia durante a celebração dos antigos Mistérios. A unção  era um dos atos executados durante o trabalho dos ritos desses antigos Mistérios nos países em torno do mar Mediterrâneo. A palavra hebraica para um ungido é Mashiahh, conquanto significa exatamente a mesma coisa que a palavra grega Christos - o Ungido.

 

É naturalmente bem conhecido que os judeus estavam então esperando - e ainda esperam - a vinda de seu Messiah, o que é modo comum de má pronúncia da palavra hebraica Mashiahh; e aqui a alusão mística nesta antiga crença judia é idêntica ao significado místico e esotérico que a palavra Christos contém quando empregada em a alusão aos ritos da iniciação.    

É declarado nas palavras da história de Jesus que ele veio montado num potro de burro e  entrou em Jerusalém; e depois disso veio sobre ele seu trabalho em vida na Jerusalém terrena - a existência material; levando, como a lenda espalhou, à sua prisão, a seu julgamento ante o Procurador romano, Pôncio Pilatos, e à sua morte.

 

No ciclo místico Oriental do Oriente Próximo, onde agora é chamado Ásia Menor, o planeta Saturno era misticamente frequentemente chamado de burro ou, seja como for, o burro representou aquele planeta na simbologia mística. E equivalentemente na simbologia o potro do burro era esta Terra, porque os videntes antigos diziam que este globo Terrestre físico estava sob a influência formativa direta do planeta Saturno.

 

Quando vocês se recordam que também a peregrinação cíclica da mônada acontece estritamente de acordo com lei e ordem no sistema solar, e de acordo com rotas estabelecidas, correndo de um planeta a outro; quando vocês também se recordam que a Jerusalém terrestre era conforme a simbologia judia esta Terra, como a Jerusalém celestial conforme à simbologia Cristã era a existência nas esferas espirituais e a meta de consecução evolutiva humana, vocês começam a ter uma ideia mais clara do que eu estou tentando brevemente e em parte lhes falar.

A alma espiritual cavalga para a "Jerusalém" - a existência material - em um burro, significando Saturno, e o potro do burro, significando esta Terra; e a mônada, o Cristo-espírito, então descendo na matéria, é crucificada na cruz da matéria, como se diz, é traído e crucificado, seguindo o imaginário Platônico dos antigos.

 

A única coisa que vocês deveriam sempre estar em alerta é contra a leitura de qualquer linha dessas Escrituras Cristãs como se estivessem recontando um evento físico histórico natural. Cada pensamento grandioso ou ideia nas Escrituras Cristãs é alegórica, e refere diretamente ao ciclo de iniciação e a alguns dos ensinamentos dados durante as cerimônias de iniciação.

Vamos agora para um aspecto importante na história mística de Jesus. Recordemos uma cena, como é dada nas escrituras Cristãs, contada de vários modos em todos os quatro Evangelhos, que conta como, de acordo com a história do Evangelho Cristão, Jesus, depois que foi traído e trazido ante Pilatos, recebeu a homenagem inconsciente daquele funcionário romano - "Não vejo nenhuma culpa neste homem". Mas, como era o costume daquele dia, diz a narrativa Cristã, libertar um prisioneiro político aos judeus na Festa da Páscoa, a Pilatos se atribui ter dito aos acusadores de Jesus: "Quem quereis que eu solte, Barrabás ou Jesus, que é chamado o Cristo"? E eles disseram: Barrabás".

 

Agora aqui está um ponto muito interessante e significativo da narrativa. Em alguns dos velhos manuscritos do Novo Testamento Cristão, o nome inteiro do ladrão assim chamado Barrabás é dado como Jesus Barrabás. Como Jesus significa "Salvador" e Barrabás é uma palavra composta que significa "o filho do pai",  quando  nos lembramos que o nome do Salvador Cristão é dado como Jesus e que a ele também é aludido frequentemente de um modo vago como o filho de um pai divino, não achamos nem um pouco interesse nesses fatos misticamente significativos. "Quem quereis que eu solte para vós: Jesus, o filho do Pai, ou Jesus a quem chamais o Ungido?” Nós temos aqui então dois Jesus - dois salvadores, porque recordemos que a palavra Jesus significa salvador. Então: Quem quereis (conforme a interpretação esotérica) que eu solte para vós em liberdade, embora esteja ofendendo suas leis feitas por homens? Jesus, o filho do pai - a parte inferior de um ser humano - ou Jesus o ungido do Espírito divino? E a lenda diz que a resposta foi: Barrabás. Dai-nos o homem Barrabás.

 

Deixe-me agora leva-los um pouco mais longe em nossa história mística, lembrando-lhes novamente que a história inteira de Jesus como colocada no Novo Testamento é um conto esotérico ou místico encenado na forma mística que acontecia nas câmaras de iniciação - iniciação que significava a morte do homem inferior, de forma que a natureza mais elevada do neófito pudesse doravante ser libertada; e depois disso em havendo o postulante terminado os seus três dias de provas, poderia prosseguir "ungido",  como alguém que tinha recebido a unção ou besunta mento nos Mistérios.

 

Eles tomaram Barrabás, o Jesus Barrabás, a parte mais inferior do homem considerada como um ser humano, e "crucificaram" a divindade interior - não uma crucificação conforme o modo romano de punir dependurando numa cruz física até que a morte viesse misericordiosamente; mas o neófito era levado e deitado num divã em forma de cruz, uma cama com o formato de cruz, e lá se deitava num transe durante três dias e três noites, e depois disso se levantava como um Messias, um Christos, um ungido. Recorde-se o conto Cristão de Jesus que levanta da tumba três dias depois de sua crucificação, comemorado como a Páscoa Cristã. Essas condições são todas condições esotéricas, cada uma delas.

 

A Jesus é atribuído ter dito, conforme a história no Evangelho Segundo Mateus: “Vim senão para as ovelhas perdidas de Israel”. O que essa palavra hebraica Israel significa? É mais acuradamente escrita em hebreu Yisrael, uma palavra derivada do hebreu da raiz verbal sarah, que significa “reger”, “governar”, “comandar”, e também com a conexão de sentido de “esforçar ou lutar para conseguir”.  Consequentemente, a frase, Bnei Yisrael, significando “os filhos de Israel”,  era uma frase usada exatamente no mesmo sentido de que os hindus falavam de Aryas, significando o nobre, o elevado, o superior, os regentes, em contraste com Mlechchhas, inferior ou paria; e de novo exatamente no mesmo sentido no qual os gregos falavam de Aristoi, os aristocratas – não com o significado moderno de aristocratas no sentido social, mas significando homens que eram de coração e mente edificados pela evolução natural para serem os melhores, os evoluídos, o superior, os homens principais, não importa o que o nascimento físico deles fora; e da mesma maneira que o hindu falava do Mlechchhas, assim os gregos falavam dos Barbaroi, bárbaros. De um modo similar falavam os judeus de todos os que não eram Bnei Yisrael como estranhos, ou Gentios, etc.. Note também que se estabeleceu que Jesus alegou ter dito que veio ensinar “as ovelhas perdidas” de Israel, misticamente significando os que por natureza estavam prontos e capacitados para o treinamento esotérico, mas que ainda não tinham se apercebido disso e estavam vagando na escuridão exterior da vida material.

 

 O fato é de que a história de Jesus é uma história de relatos de iniciação, no que as inconsistências e as dificuldades e as contradições e as leituras dessas escrituras ainda existem. Esse conto místico e esotérico é muito interessante e fascinante, pois  era de fato um conto narrado em torno da figura ideal de um grande vidente e sábio. Pois o Jesus homem era bastante diferente do homem como figura esotérica ou mística discernido como o Jesus das escrituras, uma figura ideal, representado como tendo atingido a quase divindade por ter sobrepujado os ritos iniciáticos então usados na Palestina, e quem, em função disso, tinha se tornado um filho do Sol espiritual, um filho do Pai-Sol.

Podemos dizer hoje que os homens estavam divididos em duas classes: primeira, os que estavam espiritualmente “mortos” embora vivos no corpo, os “mortos-vivos” como Pitágoras nitidamente colocou; e, segunda, os “filhos de Israel” – em outras palavras, os que eram por nascimento natural governantes espirituais dos homens, ou os que assim se tornaram pela iniciação. Vamos também relembrar que assim como os hindus e os gregos falavam de si como sendo homens “superiores”, também falavam os Árias e os Aristocratas - sem dúvida pelos mesmos motivos de orgulho racial - assim também os hebreus falavam de si geralmente como sendo os típicos Bnei Yisrail, os filhos de Israel ou os governantes naturais de outros homens. Tal orgulho nacional ou racial e preconceito é um fenômeno psicológico que pode ser observado na história de cada povo distinto ou linhagem racial, e existe mesmo hoje na tolice e cegueira racial ou orgulho nacional e preconceito com que todos nós, infelizmente, estamos bem familiarizados.

 

 

 

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